quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Confiança e blá blá blá

Quiseram me fazer pensar na questão da confiança. Mas confiança é um conceito tão relativo, a discussão acaba rolando de modo tão filosófico, que não tem uma definição objetiva. Quando se faz uma roda no bar para se discutir as considerações de cada um sobre a tal questão, uma palavra surge com certeza: depende.
Cada um tem um parâmetro para estabelecer confiança e no fim das contas, é provável que meu amigo confie menos em mim do que eu confio nele, mas jamais saberemos os parâmetros que cada um estabeleceu para confiar um no outro. Simplesmente nos confiamos.

Particularmente falando, eu demoro a confiar numa pessoa. Não tenho um tempo certo a dizer, mas tenho duas certezas: o tempo é longo e diferente para com cada pessoa. Acho que depende de como cada pessoa se comporta comigo, a impressão que ela me causa inicialmente e suas ações posteriores.
Presto muita atenção em determinadas pessoas e digo com uma certeza enorme que tenho amigos de longa data dos quais alguns são totalmente confiáveis e outros não. Todos demoraram a me conquistar, mas uns só conseguiram minha amizade, enquanto outros conseguiram minha confiança com o sorriso certo e com um conselho sábio na hora igualmente certa.
Dentro do universo da minha confiança, existem confianças em níveis e sei, isso é confuso, mas funciona basicamente assim: confio nos amigos A, B e C, mas confio no A para algumas coisas, para outras, só confio no B e o C é o cara com permissão total, ele é praticamente o "administrador da máquina" (neeerd), sabe tudo o que A e B sabem e mais um pouco. Acho que no fim das contas, isso não é tão confuso assim, uma vez que acho que é normal confiar mais em algumas pessoas do que em outras.

Já pensou nisso? Em como funciona sua concepção de confiança? Já pensou em quem você não confia? Já pensou numa nova pessoa em que se pode confiar? Já pensou que aquele em quem você confia, pode te trair?

Acabei de passar por uma situação onde eu fui acusada de ser traidora, ou uma "espécie de". Com certeza pensamos diferente sobre a definição de confiança e isso gerou uma tremenda confusão. Acredito que confiar não esteja somente preso ao fato de guardar segredos, mas ta
mbém no fato de serem pessoas cúmplices a ponto de não ficarem caladas quanto aos fatos que seu amigo deveria saber e que interferem na vida dele,que falam dele. Acho que confiança é aquele sentimento de se jogar pra trás e ter a certeza absoluta que seu amigo vai estar lá, com os braços estendidos, para te aparar e não deixar você cair (a não ser que ele queira te sacanear... hahahahahahahaha).
Acho que acabei sendo rotulada de "traidora" pelo fato de confiar mais do que ele. E não volto atrás. Continuo confiando, do mesmo jeito, com a mesma intensidade, nele e em quem mais não me trai.
Olhei a situação com uns óculos Ray Ban e ele olhou com óculos de R$1,99. Acho que vou emprestar meus óculos para ele experimentar. Ao menos por alguns minutos.

Beijos

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A Arma e Eu

Essa não é uma história do amigo do primo de um amigo meu, é minha mesmo. Acho até que uma história normal para os dias de hoje, na cidade em que vivemos, mas não pra mim. Foi a primeira vez que um modo de violência gratuita aconteceu comigo, me paralisou... e fiquei impressionada com a minha calma.
Eram 11 da manhã de um sábado e eu fazia o caminho da faculdade para casa, caminhando até o ponto de ônibus. As aulas haviam sido boas, fiz uma prova - em que acredito ter ido bem - e assisti uma aula de física bem agradável. Andando na rua, sempre ouço música para o tempo passar melhor e mais rápido. E esse meu momento foi interrompido por um desconhecido.
Ele chegou de bicicleta e me cercou. Disse que não queria tirar minha vida, mas levaria o que estava comigo. E disse tudo isso com o cano da arma escura e gelada encostada no meu peito. Não sei o que me deu, mas no meio de toda aquela tensão, fiquei calma e entreguei meu mp3 favorito. E ele ficou me encarando por momentos, empurrando a arma contra mim e mais uma vez me surpreendendo comigo mesma, fui fria ao mentir dizendo que não possuía mais nada. Ele se contentou com o que eu havia dado e se foi. No fim das contas, concluindo com minha irmã, o assaltante está sempre mais nervoso que o assaltado e manter a calma é essencial para sair ileso da situação. De posse da arma, o homem se acha no controle, acima dos outros, mas não contam com o elemento "nervosismo". Todos estão nervosos, mas se o assaltado se mostra mais calmo na situação, falando numa boa, olhando nos olhos, como acabei fazendo, eles se sentem ameaçados e acabam perdendo parte da autoridade e se vão, temendo algo. Claro que temos de contar com todas as situações, como o cara ser maluco e na hora, dar um tiro de medo. Escapei disso. No fim, o cara era um bundão... hahahahahahahaha (agora eu rio...)
Fiquei revoltadíssima, queria gritar, dizer a alguém como estava me sentindo, mas não consegui. Fui para casa, contei aos meus pais e me deitei na cama. Queria esquecer, se não, ao menos sonhar e pensar em coisas melhores. Dormi bastante e acordei renovada. Não havia passado, mas certamente estava com a cabeça no lugar. Feliz por ser eu na minha cama, feliz por saber que quem havia "saído da família" era um simples aparelho eletrônico e não eu. Feliz pelo fato de meus pais pensarem o mesmo.
Mais tarde, refeita do susto, pensei na banalidade da vida, em como ela pode ser trocada por absolutamente qualquer coisa; pensei em futilidade, pensei em pessoas fúteis. Pensei em um futuro e... (nada)
Acabei lembrando de várias coisas, de vários fatos da violência do cotidiano, onde muitas pessoas morrem para virar estatística, onde o crime fica impune, onde temos de aprender a lidar com nossas dores, muitas vezes calados.
Passou. E espero que não volte.

Beijos