quarta-feira, 21 de julho de 2010

Assalto Fardado

Estou querendo sempre voltar a postar meus textos e a atualizar meus momentos, mas verdade seja dita: tá foda. Mil coisas a fazer, trabalhos surgindo, provas, estudos, tudo ao mesmo tempo. Mas hoje, vim aqui porque eu tenho que desabafar... mas sabe quando contar 54579225654265987 de vezes um fato não resolve? Só resolve escrevendo? Esse é o meu caso.

Tive uma noite passada maravilhosa - diga-se de passagem - como há muito estava querendo ter (de novo). Ok, tive outra maravilhosa também na semana passada, mas po, SEMANA PASSADA??? Detesto viver de passado e a vida é agora, no máximo ontem. Enfim, mais uma noite maravilhosa. Acordei mega blaster bem. Humor mil, papos engraçados, tudo ok. Jamais poderia prever que uma resposta a uma pergunta despropositada poderia tumultuar meu dia. Pergunta boba, que todo mundo faz quando está com diversas possibilidades de caminho, no trânsito da manhã, e no meu caso:
"Vamos pela Niemeyer ou Lagoa-Barra?" Porra!!! De manhã? Sei lá, tudo uma bosta, mas... aquele luminoso maldito da CET-Rio estava funcionando (milagrosamente) e como boa engenheira (que pretendo ser), quero otimizar as coisas, então, o painel dizia que a "boa" era a Lagoa-Barra. Aí eu resolvi seguir a idéia do luminoso. Fomos. E a conversa continuou. Rimos litros, lembramos de causos, cantamos... Droga! Eu estava CAN-TAN-DO!!! Quer melhor humor do que isso? Até que veio uma blitz da PM. Ok, normal, estamos sóbrios, em dia com a vida... mas não hoje.
O policial nos mandou parar e na boa, paramos. Confesso que estava um pouco tensa, tentando imaginar o motivo pelo qual o PM estava parando pessoas arrumadas, que iam pro trabalho naquela hora. Logo o motivo foi exposto. Ele manteve o script de praxe: pediu documentos e tudo o mais. Até aí, tudo ok. Perguntou pela vistoria 2010 do carro e dissemos que a mesma já estava agendada, então, pensamos que estava tudo ok. Nos enganamos. O cara já nos mandou sair do carro e veio com um papo de que, mesmo com a vistoria AGENDADA, teria de nos rebocar. Eu concordei prontamente e por um momento, cheguei a pensar que o policial tinha uma veia de caráter íntegra, que não iria se deixar corromper. Mas era o dia dos enganos, era um dia esquisito...
Saímos do carro, perguntamos onde ficava o depósito e tudo o mais. Estávamos dispostos a ter o carro rebocado e iríamos recuperá-lo no depósito. O PM percebeu nossa intenção de voltar para casa de ônibus e sugeriu uma resolução rápida, sem problemas, onde "todo mundo ganhava". Pensei: CORRUPÇÃO PASSIVA. E pronto. O policial nos deu um preço. Fiquei indignada. Nos pediu R$ 400,00 para liberar o carro e eu, óbvio, deixaria levar. Mas o cara começou com um papo esquisito, então, acabamos pagando. Não a fortuna que ele pediu, mas demos uma quantia. Fiquei mais arrasada ainda quando, ao receber o dinheiro, "no sapatinho", e ver a quantia, ele ainda nos olha pela janela, abaixa, como um amigo ao nos falar e diz: "Amigo, você está fora da sua realidade..." como se R$ 400,00 fosse a quantia normal a ser paga pelos motoristas na Lagoa, e nós, que estávamos de passagem, não deveríamos estar ali. Ou seja, a realidade de cada bairro é uma, a quantia a ser extorquida do cidadão varia de acordo com o bairro.
Fiquei me sentindo mais impotente, desprotegida, com medo. Não sei o que mais temo: o bandido desleixado ou o fardado. Tenho medo de todas as blitz, tenho medo de cada carro cheio de policiais que passa do meu lado quando estou caminhando na rua. Nunca sei o que pode acontecer, nunca sei quem está dentro do carro. Não temos filtros para índoles de indivíduos. O poder público diz que devemos acreditar. Mas em quem?