sábado, 25 de junho de 2011

[Gordinha's Facts] Marco Zero

Fato: estou gorda. 

Antes era onda, era uma gordurinha totalmente despropositada, um pneuzinho que não me incomodava. Antes, eram aqueles dois quilinhos a mais que toda mulher cisma que está sobrando e que se fossem embora, tudo ficaria muito melhor. Hoje, é uma constatação: estou gorda.

As calças não entram tão bem, as blusas que ficavam larguinhas apertam um pouco e a barriga fica protuberante. No fim, aquele vestidinho fantástico que arrancava elogios do povo, só deixa mais em evidência o quanto você engordou.


Eu relaxei. Engordava um quilo e logo dizia que perderia, mas sempre deixava pra depois. Minha negligência para comigo mesma, só fez mal para mim. Hoje, colho, de uma vez, todos os quilos que "deixei para mais tarde". Estou com pelo menos 15kg a mais e não quero adiar mais. Estou agarrando uma nova dieta, com novo ânimo, novas esperanças.
Esse vai ser o meu "diário de bordo". Vou contar absolutamente tudo o que se passar comigo nesse período, que não sei quanto vai durar. Pode ser um mês, podem ser 3, pode ser um ano. Fato é que eu quero perder uns 20kg.


Quem me conhece, provavelmente vai dizer que estou louca, que não sei o que estou fazendo, que posso detonar minha saúde, mas não. É justamente pela minha saúde que eu estou lutando. Chato ser a menina que está gorda, mas ninguém diz que está, porque é alta e "e o peso está distribuído como deveria ser". Pergunte isso pra minhas roupas!

Amizades

Costumo dizer que amizades são feitas nos lugares e momentos mais improváveis, nos mais impossíveis e são justamente essas que vão para frente. Ninguém diria que, onde ninguém se conhecia, onde todos estavam entre estranhos, em 1997, sairia uma amizade que ultrapassa os limites do que se entende por amigos. Quando se poderia imaginar uma amizade verdadeira oriunda de uma seleção de estágio onde todos competem pela mesma vaga? Quem está disposto a formar laços de amizade no primeiro período da faculdade, depois da primeira prova de cálculo I? Como você vai contra a corrente e vira amiga daquela menina estranha que não parece sorrir? Minhas (melhores) amizades surgem assim, de modo avassalador, de surpresa, sem avisos.

Uma amizade da qual me orgulho muito de não ter perdido – pq eu fiz por onde – foi a do Igor. Sempre fomos muito amigos, tentamos ser mais, mas somos tão parecidos, tão dinâmicos, tão práticos, que estamos juntos de outro modo até hoje. E sabe que isso tudo poderia ter acabado por ciúmes? Mas não. Poderia falar sobre o Igor páginas a fio, mas seria até desleal, visto que é nítida a forte ligação que temos, os olhares de compreensão e porque não dizer, até pensamentos sincronizados. Não preciso dizer muita coisa sobre ele, afinal, ele sabe. Te amo.

Nunca fui de ter muitas amizades femininas, mas essa me marcou de um jeito muito particular. Estávamos concorrendo para 3 vagas de estágio na Globo.com e nos tornamos concorrentes diretas, visto que chegamos até a fase final juntas. Numa das últimas fases – se não a última – teve uma entrevista coletiva e uma mega dinâmica de grupo. A dinâmica foi super tranqüila e como o destino estava a nosso favor, ela ficou no meu grupo da dinâmica. Gostei dela de cara, de graça e passei a gostar mais depois da entrevista coletiva. O resultado da dinâmica foi dado praticamente na hora, o gerente – que estava nos avaliando naquele momento – foi muito transparente ao analisar nosso caso e deu um sinal verde para nós, aquela ponta de esperança que o pessoal do outro grupo não viu muito na hora. Ali, éramos mais concorrentes do que nunca e foi o momento da entrevista coletiva. Nunca curti muito, mas não tinha como fugir. Parecia que o Armênio (da Gcom) sabia o que me dizer, parecia que ele me conhecia e me fez uma pergunta cuja resposta veio tão emocionada, que eu mesma não me entendi. No fim, era algo de família e meu falecido irmão me veio na cabeça na hora. Minha voz estremeceu, meu mundo deu uma girada, mas respondi a pergunta olhando diretamente para ele, que como num sinal de respeito ou no melhor estilo “eu sei o que você está sentindo”, acenou a cabeça uma vez para mim e ao mesmo tempo, me vem a Marianna, a única pessoa que se ligou no acontecido, que ignorou a regra de competição naquele momento, me oferecer um copo d’água e perguntar se estava tudo bem. Muito surpresa e ainda sem saber se havia mesmo respondido a pergunta que me foi feita, saí dali com duas coisas na cabeça: “passei?” e “que pessoa foda”. Uma semana depois, eu estaria me encontrando com a mesma pessoa no exame admissional e em seguida, no PROJAC, rindo horrores e falando mal de algumas pessoas. Uma pessoa fantástica que foi posta no caminho e com a qual mantenho contato até hoje. Quiseram que nos separássemos, para que os caminhos de cada uma fosse traçado, mas como somos modernas, traçamos nossos caminhos de modo que se encontrem. Foi uma amizade muito feliz, que tenho o prazer de manter. Virou minha personal make-upper (inventei agora) e acredito muito no talento dela. Uma pessoa MARA, né, Mari?

Passar do ensino fundamental para o ensino médio é algo quase tão mágico (ou aterrorizante) quanto ir para a quinta série. As coisas mudam, (algumas) pessoas amadurecem – e podem até ficar chatas - surge um mundinho novo, onde alguns acham que separar o joio do trigo é simplesmente decidir quem vai fazer vestibular quando o EM acabar e quem não vai. Era um caminho de 3 anos a percorrer, mas tinha gente super paranóica com faculdade, com o crescimento, com a mudança para adulto... enquanto algumas pessoas ficavam recolhidas no seu humilde canto, sem contar da sua vida para ninguém, não querendo se meter na dos outros , só querendo terminar a porcaria do ensino médio e sair daquele mundinho esquisito e complicado. E essa pessoa era mal vista por isso! Falavam mal dela, não é, Paula? Tive o primeiro contato com a Paula indiretamente, afinal, não foi ela quem veio falar comigo... vieram falar dela para mim. Soube dela pela boca mais improvável do colégio. Sabe aquela menina toda recatada, que não fala com ninguém, não se mete em nada, nunca sabe de nada para não se comprometer? NÃO ERA ELA!!! Ela sabia muito bem o que estava fazendo, ela era do tipo que calculava todos os passos. Sabe aquela pessoa que via prazer em plantar a semente? Era ela. Não era má pessoa, mas era uma pessoa para manter o nível de alerta alto. Mas suas palavras não funcionaram comigo. Numa das aulas de educação física (um ano depois de estar estudando com a Paula), que eu nunca fazia, não me lembro se eu ou a Paula resolvemos que era hora de colocar tudo a limpo. E dessa conversa participou também uma grande amiga que tenho hoje, né, Priscila? Fazendo um parênteses, a Pri entrou no colégio no segundo ano e relutou ao falar comigo, pois me achava meio escrota. Mas ela veio me pedir uma matéria e pronto, nos falamos. Voltando ao dia da aula de educação física... matamos aula e fomos conversar (muito mais interessante do que ficar correndo atrás de uma bola). Foram horas de risos e muito papo, onde colocamos as diferenças, as pessoas, tudo em pratos limpos. Foi ali que tudo começou. Uma amizade que eu adoro, onde cada uma aceita a outra exatamente do jeito que é, sem desvios de caráter, com personalidade e respeito. Uma fala exatamente o que pensa da outra e é por isso que dá tanto certo. Claro que depois do colégio, cada uma seguiu seu rumo, mas o contato nunca morreu. Hoje a amizade forte está de volta. Não com todos os encontros que queríamos, mas com a proximidade necessária para que uma saiba que a outra está sempre ali, para o que der e vier.

E o que dizer do meu início de faculdade? Foi fantástico. Eu era aquela menina aplicada, que só pensava em ir bem no primeiro período. E foi um período esquisito. Estava num curso que eu não queria, mas sabe quando as pessoas valem a pena? Pois é. Valiam. E as máscaras caíram depois da primeira prova. Alguns grupos se desfizeram, afinal, pessoas do mesmo grupo não tinham ido bem na prova. Uns colocavam a culpa de suas notas no outro e os grupos ficaram classificados em quem tinha ido bem e quem tinha ido mal. Eu fiquei de fora de tudo. Não fui muito bem, mas não fui totalmente mal e tinha pessoas na mesma situação que a minha, que estava na média, mas que não queria se juntar a grupo algum. E foi assim que eu conheci o meu melhor amigo na faculdade – e que se estende até hoje. Estávamos na mesma situação: aquele não era o nosso curso, aquela não era a nossa praia, mas estávamos surfando naquela onda. A primeira prova de cálculo nos uniu. Queríamos ir bem e nos ajudar e foi o que fizemos. Começamos no trabalho de grupo e fomos muito bem e a parceria não parou. Estudávamos sempre, muitos exercícios, muitas risadas e ali percebemos o quanto foi precioso entrar no curso errado. Dizem que alguém escreve certo por linhas tortas e provamos isso. Acabamos por sair daquele curso e cada um seguiu o seu caminho, mas jamais nos separamos. Todas as matérias que tínhamos em comum, fizemos juntos. Até as que não nos era comum, dávamos um jeito de um assistir no curso do outro, só pelo simples prazer da companhia. Marcávamos lugares entre nossos blocos de estudos para nos encontrarmos e colocar as matérias e as fofocas em dia. Confesso que quando o José Roberto foi morar em SP, meus dias na UFRJ ficaram menos alegres. Ele me passava uma excelente vibe só de estar por perto, só de saber que existia a possibilidade de encontrar com ele no ponto de encontro das quentinhas da Eliane. Mas eu apoiei de cara sua decisão de se mudar do RJ por melhores oportunidades e fiquei mega feliz em saber que ele se deu bem, do jeito que ele queria. E estamos mais próximos do que nunca! A distância só nos uniu! E estamos sempre juntos, nos dando força, desabafando, rindo como nunca. Estamos juntos, não importa onde.

Minhas amizades são assim. Aparecem em lugares inusitados, do tipo oportunas, fantásticas. Onde menos se espera, surge um papo e a mágica acontece. E permanece. Não mudaria nada. Seria a escrota do colégio, a rival na entrevista de estágio, a isolada da turma de cálculo novamente, do mesmo jeito, para ter exatamente o que eu tenho hoje: amigos extraordinários.